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Jornal BOM DIA

´Se souberem de minha filha, liguem para mim´ 
 
Jovem desaparecida é uma das pessoas que terão foto na conta de água 

“Não sei se ela está viva. Não tem explicação. Se alguém souber onde está minha filha, telefone para mim. O número é (14) 3238-7728.”

Esse é o apelo de Maria Benedita Almeida Barbosa, 53 anos, pensionista, moradora da Nova Esperança, em Bauru, que procura sua filha, Adriana Barbosa, desaparecida desde 26 de fevereiro de 2005. Na ocasião, a jovem tinha 26 anos. Atualmente, está com 29 anos.

Maria Benedita relata que sua filha saiu de sua casa em meados de 2004.

Por cerca de oito meses, morou sozinha, em edícula nos fundos de uma residência na rua Horário Alves Cunha, no Jardim Bela Vista, em Bauru.

“Depois, desde fevereiro de 2005, nunca mais tive notícia dela. Fico desesperada”.

A mãe, que chegou a tomar três calmantes por dia, só consegue dormir hoje sob efeito de tranqüilizantes.

“Ela não tinha problema mental e trabalhava como caixa em um supermercado”.

A história de Maria Benedita é uma das tantas que envolvem desaparecidos.

Para ajudar as famílias a encontrá-las, DAE (Departamento de Água e Esgoto), Correios e Deinter 4 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 da Polícia Civil) firmaram parceria ontem para que as contas de água de Bauru estampem fotografias de desaparecidos no verso.

Segundo o presidente do DAE, José Clemente Rezende, são entregues por volta de 110 mil contas por mês na cidade. A idéia é cooperar com o projeto Caminho de Volta, parceria da Polícia Civil e da USP (Universidade de São Paulo) para dar assistência às famílias de desaparecidos e também para localizá-los. As contas estamparão quatro fotos a partir de segunda-feira, com nome, idade, data do desaparecimento e cidade.

A quem recorrer
Para colaborar: paradeiros de desaparecidos podem ser informados pelos telefones (14) 3222-6996, do projeto Caminho de Volta, ou 197
da Polícia Civil (ligação gratuita).


Polícia já registra, em média, 10 desaparecimentos por mês
A área da Deinter 4, com 89 municípios, entre eles Bauru, tem em média, dez desaparecimentos por mês, de crianças a adultos, informa Roberto de Mello Annibal, diretor do departamento.

Embora o dado seja negativo, a quantidade de pessoas encontradas também é grande e bastante positivo.

“Cerca de 90%. Poucas não encontramos”, comenta Annibal.

Em relação à impressão de fotografias nas contas de água emitidas pelo DAE, ele considera a iniciativa importante.

“Nós pedimos às pessoas que, quando olharem para a conta, se detenham um pouco mais de tempo na foto. Prestem atenção para tentar se lembrar se o desaparecido já não foi visto em algum lugar.”

O chefe da Deinter 4 relata que boa parte dos desaparecimentos envolvem adolescentes que têm péssima convivência com os pais, “pessoas com problema de temperamento” e portadores de transtornos mentais.

 
6/9/2007
Marcos Silvestre
Fonte: Jornal BOM DIA 







 

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